sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Histórias de banheiros

Esse espaço reservado me trouxe, hoje, memórias interessantes. Como usar o banheiro – e principalmente o bathroom alheio – é uma situação comum a todos nós, resolvi dissertar sobre o tema.

O WC de uma multinacional na qual trabalhei durante oito meses foi um dos que mais me marcaram. O local era multiuso. Servia de dormitório, ringue, quadra de futebol e plenária para discussões acaloradas, além, claro, de seu uso cotidiano.

Mas o que punha fim a essas outras, digamos, formas de reaproveitamento de espaço (o banheiro lá era enorme) era o uso dos vasos para fazer “o número dois”. E aí é que surgiam as técnicas mais mirabolantes para fugir daquele odor desagradável. Aprendi com um colega, operador do caixa, que se você – ainda sentado no trono – der uma primeira descarga imediatamente ao desembarcar do primeiro “barro” pode atenuar a fetidez. “Você segue seu trabalho e ao final dá um segundo jato d’água”, explicou.

Lembro que um dos seguranças tinha o hábito de tirar a camisa e estendê-la longe do vaso antes de “passar o fax”. Ele dizia que não queria correr o risco do fedor impregnar na blusa.
Nesse mesmo banheiro aprendi a abrir cadeados, sem chave, com um hacker iniciante (à época) intitulado Saga. Alguém sempre esquecia a chave e lá estava Saga, pronto para agir. Também no reservado, presenciamos (eu e o hacker) treinos de jiu-jítsu entre o colega que tirava a camisa antes de usar o trono e outro brutamontes.

Sempre que possível, na amplidão desse espaço comunitário, eu dormia. Isso mesmo! Estudando um turno e trabalhando exaustivamente nos outros, aproveitava a meia hora de intervalo: comia em cinco minutos, descansava vinte (deitado sobre um blusão na parte mais limpa do chão do banheiro) e gastava o resto com deslocamento.

Ainda no campo pessoal, recordo as brincadeiras constrangedoras que me faziam na infância sempre que o papel higiênico acabava. Era chamado de cagão, calango, come-e-caga, entre outros. Resultado: desde que conquistei minha independência, ou seja, fiz minha primeira feira, os papéis higiênicos são comprados aos montes lá em casa e ficam empilhados dentro do reservado.

Dia desses vi num DVD humorístico o cara enfatizar o ato de algumas pessoas olharem para o papel higiênico logo após a limpeza do – como diria meu pai – “Zé de Oclécio”. Ele brincava com a situação, questionava o fato do cidadão querer diagnosticar algo em suas fezes e ainda dizia que na próxima vez que a platéia fizesse isso, se lembraria dele. Funcionou.
Vou encerrando esse post com o link da música Paranóia, de Raul Seixas, onde ele diz que “Tinha vergonha de saber que tinha alguém ali, comigo/ Vendo fazer tudo eu se faz tudo no banheiro”

PS : Se alguém souber algo sobre de onde vem a expressão “Na cagada!”, com aquele conceito atrelado a sorte, por favor, me informem.